Ronaldinho sai com travestis e é acusado de usar drogas em motel da Tijuca, no RJ. O jogador rebate a acusação dizendo que foi vítima de extorsão. (Veja a notícia no G1 ou no site do Globo Esporte)

Essa notícia é no mínimo engraçada.

O cara pega uns travestis na rua, leva para um motel pra uma festinha regada a sexo, drogas e álcool. Isso acontece constantemente nas ruas das grandes cidades, mas passaria despercebido se o protagonista da história não fosse alguém famoso.

Os fatos:

Ronaldinho diz que pensou que fossem garotas de programa.
- Ah sim… e o Papai Noel iria junto pro motel. Aliás, foram calados até lá, né… nada que desse pra perceber que eram travestis.

Segundo o delegado que está cuidando do caso, Ronaldinho disse: “Achar que eu vou pedir para alguém ir buscar drogas na Cidade de Deus é um absurdo”.
- Claro que é um absurdo! Onde já se viu pensar uma coisa dessas. Só pobre e favelado usa drogas. Ricos e famosos não fazem uma coisa tão absurda dessas, né? Tadinho, tão injustiçado.

O mesmo delegado diz que a versão do Ronaldinho é mais confiável.
- Claro, claro… isso era óbvio. Olha só que jogão:
Travestis de rua sozinhos x “Fenômeno” + advogados + assessoria de imprensa.
Quem será que ganha?

Ele estava muito emocionado, disse que saiu para se divertir e que não queria que a imprensa ficasse sabendo do caso. O Ronaldo me disse que está passando por problemas psicológicos, em função da recuperação - diz o delegado.

Ah, sim, claro. A famosa regra: Não consegue sair da merda que fez, alegue problemas psicológicos.

O engraçado nisso tudo é reforçarem constantemente que ele nunca usou drogas, nem nesse episódio. O fato dele ter ido pro motel com travestis? Ah, isso abafa. Não importa, ele tá com problemas psicológicos, tadinho. Deixa o Zé da padaria da esquina ser pego no motel com 3 travestis, deixa. O coitado nunca mais vai poder sair na rua. Já o Ronaldinho, tadinho…
Eita sociedade hipócrita a nossa.

Minha versão:

Na minha opinião, aconteceu o seguinte:
O cara pegou uns travecos, levou pro motel e pediu pra um deles buscar pó na favela. O traveco percebeu que podia arrancar uma grana disso, ameaçou abrir a boca pra imprensa e o Ronaldo se fudeu.

Caso parecido, com gente comum:

Isso me lembra um caso que presenciei, ao vivo e em cores, em uma madrugada numa loja de conveniência em Ribeirão Preto:

Um cara entra na loja pra sacar dinheiro. Assim que entra começa a chamar a atenção de todo mundo, dizendo que estava sendo assaltado. Estava também com 3 travestis no carro, sendo que um deles desceu pra acompanhar o cidadão até o caixa eletrônico. Dizia o cara que estavam armados e fizeram ele descer pra sacar dinheiro. Caso típico de sequestro relâmpago. A cara do travesti era de quem tava de queixo caído com a reação do rapaz. À primeira impressão, o cara estava desesperado e falando a verdade.

Chamaram o segurança do posto pra intervir na situação. A versão do travesti foi diferente: O cara pegou os 3 numa avenida conhecida da cidade onde fazem ponto e levou pra fazerem uma “festinha”… no mesmo esquema sexo-drogas-álcool. Depois da bagunça feita, o cara não queria pagar o programa e começou a tentar despistar os travestis, até que inventou essa história quando desceu pra sacar dinheiro. Começou a acusar também os travestis de terem roubado o celular dele.

Conversando com os outros travestis que estavam no carro, o segurança viu uma garrafa de vodka, latas de cerveja e cerca de 5 capsulas de cocaína vazias, jogadas no assoalho traseiro do carro (o que explica a agitação quando entrou dizendo que estava sendo assaltado). O segurança chegou então pro cara e disse que ia chamar a polícia pra resolver o caso. Adivinha o que o cara fez? Falou que não precisava, que só queria se ver livre disso e ir embora, desde que os travestis ficassem alí e não fossem com ele. Pagou o programa, nem tocou mais no assunto do celular supostamente roubado e foi embora rapidão. Claro, viu que a coisa ia ficar feia pra ele.

É, na vida real dos meros mortais, a coisa é diferente.