É muito mais fácil aprender “do zero” do que reaprendermos algo que não fazíamos da maneira, digamos, certa. O hábito parece se tornar uma barreira enorme quando precisamos ou queremos mudar a maneira como fazemos tal coisa.
Pensei em escrever sobre esse assunto quando peguei um livro que li algum tempo atrás para dar uma folheada: Não me faça pensar, de Steve Krug.

Pois é… sou uma daquelas pessoas que tem o hábito de ler no banheiro. Como (normalmente) nesses casos o tempo é curto, costumo pegar algum livro que já lí e dar uma sapeada, só pra matar o tempo.

Neste livro, Steve aborda a maneira como as pessoas realmente vêem a web, mesmo que inconscientemente. Um livro muito interessante (pra não dizer essencial) pra quem trabalha na área, mas bem interessante também para quem apenas curte bastante a web e se interessa pelo assunto. Enfim, o que me chamou a atenção nessa “folheada”, foi quando parei exatamente na página 12 (tradução da segunda edição), onde ele diz:

“A maioria dos projetistas Web ficaria chocada se soubesse quantas pessoas digitam URLs na caixa de busca do Yahoo!”

Obs: Onde ele cita o Yahoo!, pode-se ler Google, UOL ou qualquer outro buscador/portal que a pessoa tenha tido contato inicialmente quando aprendeu a usar a web.

Ele explica melhor que não está se referindo à uma simples busca pela primeira vez. Mas sim pessoas que digitam o endereço completo do site que querem visitar na caixa de busca do Google, Yahoo!, ou qualquer outro que seja, ao invés de usarem a barra de endereços. E fazem isso TODA vez que precisem visitar tal site, ocasionalmente várias vezes por dia. Ele diz que se você perguntar a essa pessoa porque ela faz isso, pela resposta vai ficar claro que ela pensa que o Yahoo! (ou Google, ou outro buscador) é a internet.

Esse assunto me chamou a atenção porque já presenciei isso ao vivo e em cores, pessoalmente, algumas vezes. E realmente, é como Steve diz no livro. Conversando com a pessoa, ela realmente pensa que a internet é aquilo alí… ou que aquele é o “começo” da internet, um ponto de partida ou coisa do gênero. Escolhi este título para o post porque em uma das oportunidades que presenciei isso, expliquei pra pessoa que ela poderia digitar o endereço diretamente na barra de endereços e, depois de um tempo quando voltei lá, adivinhe: Sim, estava novamente digitando no campo de busca do Google.

O interessante é como isso se aplica em diversas outras áreas da nossa vida. Não é questão de burrice, coisa de principiante, nem nada disso. Acredito que a palavra ideal para o caso seja “comodismo”. Como o autor cita no livro também, o que acontece é que as pessoas se acostumam a usar algo até o ponto necessário para conseguirem o que querem e, sendo assim, se acomodam.

“Não importa se entendemos como as coisas funcionam desde que possamos usá-las”

O problema em muitos casos é que isso normalmente transforma uma tarefa que poderia ser simples em algo nada prático. Além disso nos tira a oportunidade de descobrirmos novos recursos que facilitariam muito nossa vida.

Com a tecnologia em constante avanço, é bem comum vermos isso por aí. Pessoas com celulares, câmeras, filmadoras, smartphones, laptops - todo tipo de apetrecho high-tech que você imaginar, que não usam nem 10% dos recursos ou usam de maneira errada. Muitas vezes, ler o manual já ajuda muito… mas normalmente temos o costume de sair usando algo pra depois tentar entender como funciona direito. Aí já virou hábito e voltamos ao início do assunto.

Já ia esquecendo do principal motivo do post: Isso é válido não só para tecnologia mas também (ou principalmente) para atitude e comportamento.